A expansão urbana e a escassez de solo têm impulsionado os cemitérios verticais como uma solução sustentável
A morte, assim como o nascimento, é uma dimensão permanente da vida urbana, mas nem sempre ocupa espaço no planejamento das cidades. O crescimento acelerado dos centros urbanos tem imposto novos desafios à gestão do território, especialmente no que diz respeito à destinação de áreas para sepultamentos, uma demanda contínua que precisa acompanhar a expansão populacional e respeitar critérios ambientais e sanitários.
Em muitos municípios brasileiros, o planejamento de políticas públicas voltadas à destinação final não acompanhou o crescimento populacional, o que tem provocado dificuldades operacionais nos cemitérios públicos. A escassez de vagas, a burocracia para novos sepultamentos e a sobrecarga das estruturas existentes revelam um desafio urbano que se agrava com a expansão das cidades.
“Muitos cemitérios já operam no limite da capacidade ou enfrentam processos complexos para novos sepultamentos. A ausência de planejamento adequado pode gerar impactos operacionais e ambientais, especialmente em áreas com infraestrutura antiga ou sem adaptação às condições urbanas atuais”, explica Jarlyson Rocha, gerente comercial do Grupo Morada.
Além disso, as legislações municipais determinam o distanciamento de áreas residenciais e de cursos d’água como forma de proteger o solo e as águas subterrâneas. Na prática, isso faz com que muitos cemitérios fiquem cada vez mais
afastados dos centros urbanos ou operem no limite de sua capacidade, ampliando desafios logísticos e de acesso para as famílias.
Diante desse cenário, soluções complementares ao modelo tradicional vêm ocupando espaço nas discussões sobre cidades mais sustentáveis e bem planejadas. Entre essas alternativas estão os cemitérios verticais e a cremação, que se apresentam como respostas modernas às necessidades urbanas atuais, ao mesmo tempo em que reduzem o consumo de solo e os riscos ambientais.
“O cemitério vertical é considerado ambientalmente mais seguro e sustentável, principalmente pela tecnologia de biossegurança. A principal diferença é que o sepultamento ocorre em lóculos estanques e impermeáveis. Já a cremação se destaca pelo baixo impacto ambiental.”, destaca Claudio Medeiros, especialista em Saúde, Segurança e Meio Ambiente do Grupo Morada.
Ainda segundo Claudio, os crematórios do Grupo Morada operam de acordo com as diretrizes do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e utilizam sistemas modernos de combustão e filtragem que asseguram o controle das emissões atmosféricas. Esse cuidado técnico permite que as despedidas sejam conduzidas de forma mais responsável do ponto de vista ambiental, com opções como urnas biodegradáveis, columbários ou a destinação das cinzas em locais simbólicos.
Na Paraíba, a cidade de Guarabira abriga um dos primeiros cemitérios verticais do estado: o Morada da Paz Essencial. Integrado a um complexo funerário, o espaço reúne capelas de velório, funerária e assistência 24 horas, propondo um modelo que alia planejamento urbano, tecnologia e acolhimento.
Ao incorporar soluções como os cemitérios verticais e a cremação ao debate urbano, as cidades ampliam a discussão sobre sustentabilidade para além da vida cotidiana, reconhecendo que planejar o futuro também passa por cuidar, com responsabilidade, da forma como lidamos com a despedida.
