O Rio de Janeiro amanheceu nesta sexta-feira (25) em clima de comoção. O velório da cantora e atriz Preta Gil, realizado no Theatro Municipal, no Centro da capital fluminense, reuniu fãs, familiares, artistas e autoridades em uma despedida marcada por emoção, reverência e homenagens à altura de sua trajetória.
Com o caixão disposto logo na entrada do saguão principal e cercado por flores, a cerimônia teve início às 9h, sendo aberta ao público até as 13h. Logo nas primeiras horas da manhã, fãs já se aglomeravam na Cinelândia para prestar a última homenagem. Um corredor com grades foi montado para organizar o fluxo, e ruas no entorno foram interditadas pela Prefeitura, que organizou um esquema especial de segurança.
Atendendo a um desejo da própria artista, a cerimônia foi embalada por músicas festivas, exaltando a alegria que sempre marcou sua vida e carreira. Amigos e familiares vestiam branco, em respeito à simbologia de paz e renovação.
O pai da cantora, Gilberto Gil, chegou ao local acompanhado da mãe de Preta, Sandra Gadelha, e da madrasta, Flora Gil. Em um momento de forte emoção, Gil deu um beijo na testa da filha ao se aproximar do caixão.
Despedida cercada de afeto e reconhecimento
Figuras públicas também marcaram presença na cerimônia. A primeira-dama Janja da Silva representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enviou uma coroa de flores com uma mensagem comovente: “Nasceu para voar, fez seu destino, tocou o céu e espalhou só o amor. O Brasil agradece e celebra sua luz”, trecho que remete à canção “Só o Amor”, da própria Preta.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, e artistas como Thaís Araújo, Arlete Salles, Thiaguinho, Péricles e Paula Lima também participaram do velório. O filho da cantora, Francisco Gil, permaneceu por alguns minutos ao lado do caixão em um gesto silencioso de despedida.
Cortejo e cremação
Após a cerimônia pública, o corpo seguiu em cortejo em um caminhão do Corpo de Bombeiros. O trajeto passou pelas ruas do Circuito Preta Gil, novo nome dado ao percurso dos megablocos no Centro do Rio, em homenagem póstuma à cantora, que por anos arrastou multidões com o seu Bloco da Preta.
O destino final foi o Cemitério e Crematório da Penitência, no Caju, onde amigos e familiares participaram de uma cerimônia íntima e restrita, marcada para o fim da tarde.
Preta Gil faleceu no último domingo (20), aos 50 anos, em Nova York, após uma longa luta contra um câncer no intestino. Sua trajetória como cantora, atriz, empresária e ativista fez dela uma das vozes mais autênticas da cultura brasileira contemporânea.
