Além do cosplay: Como o ImagineLand transformou Campina Grande no novo polo da economia criativa do Nordeste

Quando se fala em Campina Grande, a associação com o “Maior São João do Mundo” e a vocação como polo tecnológico e universitário costumam surgir de imediato. No entanto, o encerramento do ImagineLand 2026 no último fim de semana consolidou uma nova e promissora faceta para a Rainha da Borborema: o epicentro da cultura pop e da indústria de entretenimento no interior do Nordeste.

Ao alcançar marca histórica e bater recordes de público, o evento deixou claro que a movimentação em torno do ecossistema geek ultrapassa a mera diversão de fãs e cosplayers. Por trás dos corredores lotados, o evento movimentou uma extensa cadeia produtiva na cidade, injetando recursos nos setores de hotelaria, gastronomia, transporte e serviços, além de impulsionar a economia criativa regional.

O Efeito ‘Super Bowl’ Geek no Comércio Local

Para além dos palcos e painéis com atrações internacionais, o festival operou como um poderoso catalisador financeiro. A ocupação hoteleira na cidade registrou picos expressivos durante os dias de evento, recebendo caravanas e visitantes vindos não apenas de João Pessoa e do interior paraibano, mas também de estados vizinhos como Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará.

Restaurantes, motoristas de aplicativo, profissionais de montagem, cenografia, segurança e logística vivenciaram dias de demanda atípica para o período.

“Eventos dessa magnitude no interior quebram a sazonalidade do turismo tradicional. Conseguimos movimentar a rede de serviços em meses que antes eram considerados mornos, provando que o público da cultura pop é consumidor ativo de hospedagem, gastronomia e comércio local”, analisa especialista em mercado e turismo do estado.

Descentralização Cultural e Oportunidades para Criadores Locais

Historicamente, grandes feiras de entretenimento e tecnologia — como Comic Con e festivais de eSports — concentram-se no eixo Rio-São Paulo ou nas grandes capitais do Leste nordestino. A consolidação do ImagineLand em solo paraibano representa um movimento de descentralização cultural.

O espaço concedido no Artist’s Alley e nas arenas do evento serviu como uma vitrine de negócios para dezenas de ilustradores, roteiristas, artesãos e desenvolvedores de jogos locais. Para muitos jovens talentos paraibanos, o evento foi a principal oportunidade do ano para comercializar obras, firmar parcerias e fazer networking com executivos e nomes consagrados do mercado internacional sem precisar sair do estado.

Um Novo Legado para o Calendário de Eventos

Com o encerramento da edição de 2026, Campina Grande demonstra que seu parque de eventos e sua infraestrutura urbana têm capacidade técnica para abrigar grandes feiras multissetoriais em qualquer época do ano.

O ImagineLand deixa de ser apenas um festival de cultura pop para se firmar como um ativo econômico estratégico para a Paraíba, provando que o Nordeste não é apenas consumidor, mas também um grande produtor e anfitrião da indústria global do entretenimento.

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